Atendimento imediato que salva vidas
Brigada Militar forma 5ª turma do ano no Curso de Atendimento Pré-Hospitalar em Combate
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Era noite do dia 22 de março de 2024. Ao entrar em serviço, o soldado Jailson Casani, então lotado no 17º Batalhão de Polícia Militar (17º BPM) não imaginava a situação que passaria na madrugada do dia 23. Durante patrulhamento em Gravataí, o relógio marcava 2h27 quando a sua guarnição tentou realizar abordagem a três suspeitos no bairro São Vicente. Um deles, ao perceber a aproximação do policial, abriu fogo contra ele. Foram quatro tiros à queima-roupa. Três atingiram o colete balístico, mas um foi direcionado à perna do policial.
"Quando eu olho para a minha joelheira, tinha um furo. Pensei: 'fui baleado'. O colega chegou, já botou um torniquete, o outro colega chegou e ajudou com o colete, para retirar e ver se não tinha nenhum ferimento visível. Em seguida, outros colegas já chegaram e me levaram ao hospital. Com certeza, o preparo da guarnição no dia fez uma grande diferença na ocorrência”, lembrou Casani, em entrevista ao Instagram da Brigada Militar, dias após o atendimento.
A história do soldado Casani é mais um exemplo de como o atendimento pré-hospitalar pode fazer a diferença no dia a dia do serviço policial militar. Em uma profissão em que a imprevisibilidade e o risco de vida podem estar, literalmente, na esquina seguinte e a capacidade de reação precisa ser imediata, as técnicas de primeiros socorros em combate podem significar a diferença entre vida ou morte do operador.
Brigada Militar salva 9 vidas por dia no RS
A história do soldado Casani se soma a muitas outras histórias de vidas civis e militares salvas pela Brigada Militar com APH no Rio Grande do Sul. Segundo levantamento divulgado pela Brigada Militar em fevereiro, ao longo de 2025 a Corporação preservou 3.060 vidas em atendimentos em todo o Estado. Desses, foram 2.570 atendimentos de prestação de socorro e 490 salvamentos de pessoas. O número representa médias de 255 pessoas socorridas por mês e de oito a nove por dia. São ocorrências em que, muitas vezes, a guarnição é a primeira a chegar e precisa agir nos minutos mais críticos, antes mesmo da chegada do atendimento especializado.
“Na maioria das vezes, é à Brigada Militar que o cidadão recorre quando mais necessita. É claro que não temos a intenção de substituir outros órgãos que atuam diretamente na área da saúde, mas o atendimento prévio das equipes da BM, que estão mais capilarizadas nas ruas do estado, pode fazer a diferença no posterior atendimento qualificado. Dessa forma, os cursos de Atendimento Pré-Hospitalar representam um ativo valioso não apenas para os integrantes da Corporação, mas para toda a sociedade.”, comenta o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Luigi Soares Pereira.
Capacitação para salvar vidas em campo
Com o objetivo de fortalecer essa cultura e habilitar operadores a realizarem procedimentos que podem ser cruciais para o salvamento de vidas durante os atendimentos de ocorrências, a Brigada Militar formou, nesta quarta-feira (8/4), a 5ª edição de 2026 do Curso de Atendimento Pré-Hospitalar em Combate. A formação aconteceu em Santa Maria, nas dependências do 2º Batalhão de Polícia de Choque (2º BPChq), e contou com a presença de 20 alunos, sendo 18 soldados da Corporação de quatro comandos regionais que atendem o interior do estado, um sargento da Força Aérea Brasileira (FAB) e um agente da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
A formação teve 30 horas de aula e foi mediada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope). Entre os tópicos abordados, estão atendimento sob confronto armado, técnicas de evacuação, controle de sangramentos, desobstrução de vias aéreas (manobra de Heimlich), reanimação, remoção de feridos, entre outros. “Uma das nossas missões diárias é salvar vidas. Por isso, no curso de APH Tático, o nosso objetivo é salvar as vidas que possam ser salvas quando o socorro convencional não chega, quando demora ou quando não é possível chegar ao local. As técnicas podem ser usadas não só entre policiais feridos, mas também para toda a sociedade”, comenta o sargento PM Ricardo Mendonça, instrutor do curso.
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Texto: jornalista Ícaro Ferreira - servidor civil/PM5
Fotos: soldado Mariana - comsoc 2º BPChq Santa Maria