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Brigada Militar entrega a gestão da Penitenciária Estadual do Jacuí à Polícia Penal

Após 30 anos, encerra-se um ciclo com a superação do colapso do sistema prisional e o reconhecimento de mais um legado da BM

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O efetivo de PMs atuantes na PEJ aparece saindo em marcha da sede da Penitenciária durante o ato simbólico de entrega da gestão à Polícia Penal.
Cerimônia concluiu a transferência da gestão prisional da Brigada Militar para a Polícia Penal do Rio Grande do Sul - Foto: Sd PM Fontoura

A Brigada Militar participou da cerimônia de passagem de Direção da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ) para a Polícia Penal, na tarde desta terça-feira (30/06), realizada em Charqueadas. A PEJ era a última unidade prisional administrada integralmente pela Corporação desde 1995, a partir da publicação da Portaria número 11. Os 202 Policiais Militares (PMs) atuantes na guarda e na administração da PEJ retornam para o policiamento ostensivo.

Em ato simbólico, o Comandante-Geral da Brigada Militar, coronel PM Luigi, passou a chave da PEJ ao governador Eduardo Leite que, em seguida, a entregou ao secretário da SSPS (à esquerda).
Secretário da SSPS, Cesar Rossato, governador Eduardo Leite, Comandante-Geral da BM e secretário da SSP, Mário Ikeda - Foto: Sd PM Fontoura
O Comandante-Geral da Brigada Militar, coronel PM Luigi Gustavo Soares Pereira, disse que essa transição representa o fortalecimento das instituições e a evolução do sistema prisional gaúcho em benefício da sociedade. “Nossos PMs estiveram durante 30 anos garantindo a ordem e a disciplina, diariamente, e apreendendo também; sim, a nossa Corporação de quase 189 anos, aprendeu um novo ofício,” afirmou em seu discurso, ao retratar a ampla compreensão por parte de homens e de mulheres que assumiram tamanha responsabilidade. “Foram mais de 25 diretores a conduzir esta unidade com dedicação e profissionalismo, muitos deles já não estão mais conosco, desde o Major Edvar Siqueira em 1995, até o atual Major Adonis Longaray, que encerra este ciclo e representa todos que ajudaram a escrever a história da PEJ,” concluiu desejando sucesso à Polícia Penal nesta nova etapa e reafirmando a união das instituições públicas gaúchas.

O titular da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), Cesar Kurtz Rossato, destacou o cumprimento pela Brigada Militar de sua missão institucional de proteger a sociedade ao contribuir decisivamente para a estabilidade do sistema prisional. “Sua atuação merece respeito pela abnegação, pelo espírito público e pela lealdade ao Estado. Cada instituição segue agora com a sua função essencial e, todas, trabalhando de forma coordenada, compartilhando informações, planejando em conjunto e atuando em prol de uma causa única, que é a segurança pública do Rio Grande do Sul,” manifestou.

Efetivo de policiais penais em sua entrada na PEJ em ato simbólico de transição da gestão da Brigada Militar para a Polícia Penal.
Mais de 250 policiais penais assumiram a PEJ substituindo os 202 PMs que retornam ao policiamento ostensivo - Foto: Sd PM Fontoura
Mais de 250 servidores da Polícia Penal assumem a PEJ, conforme o superintendente da Polícia Penal, Sergio Dalcol. Ele explicou que a mudança não representa uma ruptura: “representa a continuidade de um trabalho e a maturidade institucional. Ao longo de mais de 30 anos, Policiais Militares dedicaram parte de suas vidas a essa missão. A Polícia Penal reconhece esse legado,” referiu, agradecendo cada brigadiano e cada brigadiana que fez parte dessa trajetória.

Operação Canarinho

A chamada Operação Canarinho foi uma medida adotada pelo governo gaúcho por meio da Portaria número 11 de 26 de julho de 1995, que atribuiu a Brigada Militar as missões de coordenação administrativa e operacional das unidades prisionais, de segurança interna dos estabelecimentos, de reordenamento da estrutura organizacional, de reavaliação do quadro especial de servidores, de redefinição de práticas institucionais e de reformulação de conteúdos programáticos do curso de formação.

O governador Eduardo Leite ressaltou que a atribuição perduraria por seis meses com possibilidade de prorrogação por igual período. Porém, a transição iniciou-se somente em 2024. “Agradeço, em nome do povo gaúcho, a Brigada Militar por ter cumprido por 30 anos, 11 meses e cinco dias, a missão que não era a sua do ponto de vista legal. E, mesmo assim, a Brigada Militar cumpriu com dedicação e entregando a superação daquele episódio de colapso no sistema prisional gaúcho,” pronunciou.

PEJ

A Penitenciária Estadual do Jacuí foi inaugurada em 1938 como uma colônia penal agrícola. A partir de 1969 passou a receber pessoas para o cumprimento de penas em regime fechado até tornar-se uma das maiores unidades do sistema penitenciário gaúcho. Em 1995, diante da grave crise enfrentada pelo sistema de segurança estadual, teve a sua gestão assumida pela Brigada Militar. Naquele período, os presídios enfrentavam problemas estruturais, déficit de efetivo e episódios de rebeliões e fugas.

Texto: jornalista Eliege Fante, servidora civil na PM5/BM

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