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Brigada Militar recebe homenagem feita à primeira policial militar feminina gaúcha

A placa do logradouro Rua Cabo Toco, em Porto Alegre, foi recebida durante a reinauguração da Biblioteca Museu

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Foto mostra o comandante-geral da BM, coronel Luigi, ao lado de outros oficiais e ex-oficiais da BM, segurando a placa da Rua Cabo Toco
Biblioteca Museu recebeu placa que oficializa a denominação de um logradouro em Porto Alegre como Rua Cabo Toco - Foto: Soldado PM Wagner Hopf/PM5

A solenidade de reinauguração da Biblioteca Museu da Brigada Militar, realizada nesta sexta-feira (27/03), teve como um dos destaques o recebimento da placa que oficializa a denominação de um logradouro em Porto Alegre como Rua Cabo Toco. A iniciativa homenageia a primeira mulher, Olmira Leal de Oliveira, a combater na Brigada Militar nos anos de 1920, no contexto de defesa dos pacientes que atendia como enfermeira voluntária. Além disso, a Cabo Toco salvou a vida do comandante João Vargas de Souza durante um ataque à tropa em uma localidade de Caçapava do Sul em 1924. O logradouro porto-alegrense foi formalizado por intermédio da Lei Municipal nº 13.361/2023 de autoria da vereadora Comandante Nádia Gerhard.

Para o Comandante-Geral, Coronel PM Luigi, “manter viva a memória da Cabo Toco é conhecer o nosso passado, enriquecer o nosso presente e alicerçar o nosso futuro. Além disso, significa reconhecer a existência dos moradores naquele logradouro, que ganharam um endereço formal.” O Comandante-Geral ainda agradeceu os esforços do eterno comandante-geral Coronel PM Jerônimo Braga pelo fortalecimento do Museu e agora da Biblioteca Museu.

A Comandante Nádia, atualmente vereadora e policial militar feminina por 28 anos, destacou a importância do resgate de mais esta memória. “Cabo Toco teve que pegar o fuzil e defender a tropa que estava cuidando. Esta é mais uma história brigadiana que honra a Instituição e orgulha todos os brigadianos,” afirmou.

Na sequência, o Comandante-Geral da Brigada Militar, coronel PM Luigi Pereira, e a vereadora Comandante Nádia, entre outras autoridades, fizeram o desenlace da fita de reinauguração da Biblioteca Museu, que guarda a história gaúcha e da briosa sulina, por meio da conservação de um rico acervo composto por 4.194 títulos. Encontra-se no mezanino do andar térreo do prédio, situado na Rua dos Andradas, 498, e está aberta para a realização de consultas das publicações por pesquisadores.

Conheça a Biblioteca Museu

A Biblioteca Museu da Brigada Militar divide-se em três coleções. A coleção geral abrange títulos sobre a Brigada Militar, além daqueles produzidos por membros da Corporação sobre o Estado e sobre a cultura gaúcha. Já as outras duas coleções foram constituídas mediante a doação de duas bibliotecas particulares.

A primeira, pertenceu ao historiador e coronel da Brigada Militar, Hélio Moro Mariante, que idealizou o Museu da Brigada Militar em 1947 e que deu início ao acervo bibliográfico que hoje encontra-se reunido na Biblioteca Museu. Mariante, considerado o 1º historiador da Brigada Militar, é autor de 24 obras com foco na Brigada e na política gaúcha. Na Biblioteca Museu da Instituição, estão disponíveis os seguintes títulos para leitura presencial: Brigada Militar: um século de sacrifícios, lealdade e tradição; De prontidão; Crônica da Brigada Militar gaúcha; Sarilhos milicianos; Chimangos e Pica-paus: no folclore político-militar gaúcho; Farrapos, guerra à gaúcha; Fronteira do vaivém; "Pandorgueando"; O Rio Grande do Sul em "aulinhas".

A segunda coleção pertenceu a Arthur Ferreira Filho, Tenente-Coronel da Brigada Militar, prefeito de dois municípios gaúchos, autor de vários livros, entre os quais estão História geral do Rio Grande do Sul e Narrativas de terra e sangue.

Tesouros

Entre as ricas obras, está o tesouro da casa que, segundo a bibliotecária Mariângela Pagliarini, são os três volumes intitulados Esboço Histórico, que contam a história da Brigada Militar trazendo os bastidores de acontecimentos políticos do Estado e do País.

A leitura do volume I do Esboço Histórico, publicado em 1917, proporciona a tomada de conhecimento do início da Corporação, por meio de relatos de acontecimentos entre 1890 e 1895, testemunhados pelo militar e historiador Major Miguel Pereira. É uma obra comemorativa ao 25o aniversário da Instituição e de iniciativa do então Comandante Affonso Emílio Massot, que se tornou o patrono da Brigada Militar. Os capítulos trazem as estruturas da Instituição no período e relatos sobre diversos Combates, sendo o do Salsinho, o mais antigo. Traz também relatos de batalhas, de tiroteios, de expedições, de acampamentos e de marchas, contando momentos de personagens ilustres do Estado e do país. Este volume I do Esboço Histórico pertenceu ao intelectual, poeta, jornalista e historiador Walter Spalding, que foi bibliotecário da Prefeitura de Porto Alegre e autor de diversas obras, entre elas, três títulos que também estão disponíveis na Biblioteca Museu da Brigada Militar: Farrapos! 1ª série; Na voz do povo: ensaios de folclore; Revolução Farroupilha.

O Esboço Histórico Volume II, escrito pelo juiz da Corte de Apelação da Justiça Militar do Estado, Coronel Aldo Ladeira Ribeiro e publicado em 1953, retrata o período que vai de agosto de 1918 a setembro de 1930. Caracterizado pelo autor como um período difícil, traz o relato documentado das revoluções de 1923, 1924 a 1927, entre outros fatos.

Finalmente, o III Volume do Esboço Histórico, igualmente de autoria do Coronel Aldo Ladeira Ribeiro, revela as informações referentes a outubro de 1930 a dezembro de 1961. A pesquisa iniciada em 1935 foi publicada em 1987 devido às dificuldades enfrentadas para reunir os documentos oficiais constantes na obra. Tematiza a Revolução de 1930, o Movimento Pró-Constituinte, a Revolução Constitucionalista, Enchente em Porto Alegre, e a evolução administrativa da Corporação.

Curiosidades

Os livros mais antigos datam de 1848, 1852 e 1863 e foram publicados em Portugal e na França. O livro de 1852 foi doado por meio da coleção de Arthur Ferreira Filho e o de 1863 tem a dedicatória para o Visconde de Pelotas feita em 1878.

Ao mesmo tempo, estão disponíveis títulos recentes, como “Por trás da farda”, de Francieli Reichert, lançado em 2025.

A Biblioteca Museu da Brigada Militar, que é gerida pelo Departamento de Educação e Cultura, possui ainda uma seção de periódicos históricos, com revistas institucionais e a coleção da Revista O Globo. Está aberta para leitura e pesquisa presencial de historiadores e pesquisadores.

Serviço

O que: Biblioteca Museu da Brigada Militar

Onde: Junto ao Museu da Brigada Militar, Rua dos Andradas, 498, Centro Histórico de Porto Alegre

Hora: de segunda à sexta-feira entre 10h30 e 18 horas

Texto: jornalista Eliege Fante, servidora civil na PM5/BM

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