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Exposição no Museu da Brigada Militar celebra a presença feminina na Corporação

O Rio Grande do Sul homenageia a primeira mulher a vestir a farda, a Cabo Toco, na data do seu aniversário, 18 de junho

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Imagem do desenlace da fita e abertura da exposição com a presença do chefe do Estado-Maior da Brigada Militar, coronel PM Álvaro Martinelli, da secretária-adjunta da Segurança Pública, delegada Adriana Regina da Costa, a Tenente-Coronel Amanda Martins Mondadori e a cantora Fátima Gimenez .
Abertura da exposição “A Presença Feminina na Brigada Militar” no Museu da Instituição - Foto: Sd PM Martinez PM5 BM

Homenagem reúne fotos da Cabo Toco e das PMs entrevistadas na reportagem.
Homenagem - Foto: PM5
A Brigada Militar celebra a presença feminina na Corporação do Rio Grande do Sul homenageando a Cabo Toco, neste 18 de junho, data em que completaria 124 anos. Uma exposição no Museu da Brigada Militar conta essa história e a de outras mulheres, reconhecidas por sua coragem, competência, resistência e profissionalismo.

O passado denota que a primeira mulher a vestir a farda gaúcha foi Olmira Leal de Oliveira, conhecida como Cabo Toco, em contraste ao nome registrado “Cabo Olmiro”, revelando que mulheres não eram aceitas. A enfermeira serviu também como combatente no atual 1º Regimento da Polícia Montada (1º RPMon BM) de Santa Maria entre 1923 e, 1932, quando se casou em São Sepé. Nascida em 18 de junho de 1902 em Caçapava do Sul, faleceu em 1989 em Cachoeira do Sul. Com justiça, em 1985 recebeu o título de 2º Sargento e, em 1987, a homenagem por meio da canção de Nilo Bairros de Brum e Heleno Gimenez retratando o percurso militar. A interpretação de Fátima Gimenez na V Vigília do Canto Gaúcho (aqui), e com a presença da ilustre brigadiana, conquistou o primeiro lugar.

A PM aparece sobre um cavalo durante o policiamento ostensivo de dia em um bairro.
Lembrança de Simone Postal durante atuação no 1º RPMon, em Santa Maria - Foto: Arquivo pessoal
Oficialmente, a presença feminina no policiamento ostensivo da Brigada Militar foi autorizada em 1985 e, em 1987, foi criada a Companhia de Polícia Militar Feminina. Hoje, elas constituem mais de 18% do efetivo e atuam em todas as Unidades. “Na Brigada Militar desenvolvi disciplina para equilibrar vida profissional e pessoal, aprendi a agir com empatia e firmeza para resolver conflitos sem escalá-los,” relata a brigadiana Simone Postal. Ela trabalhou no Policiamento Ostensivo, no Pelotão de Choque e no Pelotão Montado entre 1991 e 2015 em Santa Maria.

Inspiração familiar

Simone seguiu os passos do pai que também pertenceu à Instituição. Mesmo com essa inspiração e exemplo, ela explica que as ocorrências exigem equilíbrio emocional, cuja habilidade é trabalhada continuamente pelo efetivo. Uma das situações mais difíceis que enfrentou foi o resgate de um bebê que perdeu a mãe. “Nosso trabalho vai além da técnica. Aquela ocorrência me marcou muito, principalmente por eu também ser mãe. Foi impossível não me colocar naquela situação. Ao mesmo tempo, precisei manter o profissionalismo para garantir a segurança e o cuidado com aquela criança,” revelou.

PM aparece fardada durante uma palestra para a tropa. Ao fundo, vê-se um slide que aborda o autocuidado.
Capitã Médica PM Cristina Grecco atua no HBM em Porto Alegre - Foto: Arquivo pessoal
Quem igualmente teve inspiração paterna é a médica ginecologista, palestrante e perita do Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre, Capitã Médica PM Cristina Grecco. “O que mais me motivou a fazer o concurso foi a lembrança do meu pai, já falecido, engenheiro e coronel do Exército. Ele venceu o 3º Festival Poético Musical da Brigada Militar com a canção “Amada Brigada Gaúcha”, que até hoje é entoada por toda a Corporação e pela nossa centenária Banda de Música da Ajudância-Geral,” conta orgulhosa.

Há nove anos na Corporação, ela destaca a memória da Comenda recebida pelas mãos da esposa do então Comandante Tenente-Coronel PM Fernandes do 12 BPM em 2025. “Nossa história iniciou quando fiz o diagnóstico de câncer de mama da Dani (permito, com a autorização dela, fazer esse relato a vocês), em tempo hábil de conduzi-la a um tratamento adequado que deu a ela a chance de cura,” conta emocionada e convencida de que cada membro da família brigadiana é importante e merece dedicação.

Desafios comuns

Para esta policial militar feminina, o maior desafio é comum às mulheres de outras profissões: a maternidade solo. Mas, a Capitã Médica PM Grecco pondera que as demandas são grandes, complexas e imediatas na contemporaneidade. “Por isso, no meu trabalho como médica especialista em mulheres, abordo sempre as questões familiares e sociais que permeiam o cotidiano das brigadianas e dos familiares que acolho,” aponta.

A PM aparece sob o sol, fardada e à frente de uma aeronave da Instituição.
Capitã PM Gabrielle Fornasier Hubner do Comando de Aviação - Foto: Arquivo pessoal
Com inspiração familiar, a Capitã PM Gabrielle Fornasier Hubner do Comando de Aviação da Brigada Militar escolheu a Instituição “que proporciona um dos retornos mais imediatos à população, o que sempre fez muito sentido para mim”, disse. Ela atua como piloto de avião participando de missões de transporte aéreo, como no deslocamento de equipes médicas em operações de captação de órgãos.

Os desafios permeiam a trajetória de todos os profissionais, mas esta policial militar feminina escolheu ultrapassá-los, “o que me permitiu descobrir que meus limites eram muito maiores do que eu acreditava”. Entre os valores, destaca a importância do estudo constante e da evolução profissional contínua. Para ela, o curso de pilotagem de avião foi uma das maiores oportunidades proporcionadas pela Brigada Militar. “Foi o que me permitiu o domínio de conhecimentos técnicos altamente especializados e diferenciados. Além do crescimento profissional, essa formação ampliou minha visão sobre o emprego da aviação na atividade policial e institucional,” asseverou.

Competência e resiliência

A PM aparece carregando um colega durante uma um exercício simulado de Atendimento Pré-Hospitalar em Combate (APH-C). O local é um campo aberto.
Soldado PM Natacha durante uma capacitação de APH-C - Foto: Arquivo pessoal
Realizar um sonho implica superar obstáculos em muitas dimensões. “Sempre me coloco em situações difíceis para testar meus limites e me superar. Tenho o curso que era meu sonho, o curso da Força Nacional e tive oportunidade de atuar por quatro anos em diversos conflitos em outros Estados, em aldeias indígenas e no garimpo. Foi uma grande superação para eu estar totalmente em lugares inóspitos com parcas condições de sobrevivência,” conta a soldado PM Natacha Cavalheiro, que atua na Academia de Polícia Militar em Porto Alegre. Ela concluiu o 1º Curso de Especialização em Defesa Policial Militar no Rio Grande do Sul, realizado há quase um ano, tornando-se a primeira mulher a fazê-lo e a única policial militar feminina a constituir o seleto grupo de 19 multiplicadores da nova doutrina de defesa policial militar da Instituição.

Uma decisão de vida”, é como define a policial militar feminina do Comando de Polícia Ambiental o seu ingresso na Corporação em 2004. “Não foi apenas uma escolha profissional. Estar na Brigada Militar é carregar responsabilidade e orgulho todos os dias. Ao longo da minha trajetória, a maior conquista foi construir uma caminhada sólida, com dedicação e respeito à Instituição,” afirma a 2º Sargento PM Adriana Oliveira.

A PM aparece em uma selfie, fardada, segurando um cão resgatado dentro de um barco em meio a água que ocupou bairros no período da enchente que acometeu o RS em 2024.

Como mulher, entende que os desafios são enfrentados com resiliência e profissionalismo, fortalecendo e reafirmando que “competência não tem gênero”. Essa atuação serviu nos dias mais críticos da enchente de 2024. “Naquele momento, a farda ganhou um significado ainda maior. Éramos o apoio, o amparo e a presença firme em meio ao caos”, contou sobre o sofrimento vivenciado diante de tantas perdas e resgates. Para ela, cabe a cada mulher conquistar espaços com competência, coragem e preparo.

Exposição "A Presença Feminina na Brigada Militar"

Local: Museu da Brigada Militar
Endereço: Rua dos Andradas, nº 498, Centro Histórico, Porto Alegre/RS
Visitação: de segunda a sexta-feira
Horário: das 10h30 às 17h40
Entrada: gratuita

Texto: jornalista Eliege Fante, servidora civil na PM5/BM

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