Exposição no Museu da Brigada Militar celebra a presença feminina na Corporação
O Rio Grande do Sul homenageia a primeira mulher a vestir a farda, a Cabo Toco, na data do seu aniversário, 18 de junho
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O passado denota que a primeira mulher a vestir a farda gaúcha foi Olmira Leal de Oliveira, conhecida como Cabo Toco, em contraste ao nome registrado “Cabo Olmiro”, revelando que mulheres não eram aceitas. A enfermeira serviu também como combatente no atual 1º Regimento da Polícia Montada (1º RPMon BM) de Santa Maria entre 1923 e, 1932, quando se casou em São Sepé. Nascida em 18 de junho de 1902 em Caçapava do Sul, faleceu em 1989 em Cachoeira do Sul. Com justiça, em 1985 recebeu o título de 2º Sargento e, em 1987, a homenagem por meio da canção de Nilo Bairros de Brum e Heleno Gimenez retratando o percurso militar. A interpretação de Fátima Gimenez na V Vigília do Canto Gaúcho (aqui), e com a presença da ilustre brigadiana, conquistou o primeiro lugar.
Inspiração familiar
Simone seguiu os passos do pai que também pertenceu à Instituição. Mesmo com essa inspiração e exemplo, ela explica que as ocorrências exigem equilíbrio emocional, cuja habilidade é trabalhada continuamente pelo efetivo. Uma das situações mais difíceis que enfrentou foi o resgate de um bebê que perdeu a mãe. “Nosso trabalho vai além da técnica. Aquela ocorrência me marcou muito, principalmente por eu também ser mãe. Foi impossível não me colocar naquela situação. Ao mesmo tempo, precisei manter o profissionalismo para garantir a segurança e o cuidado com aquela criança,” revelou.
Há nove anos na Corporação, ela destaca a memória da Comenda recebida pelas mãos da esposa do então Comandante Tenente-Coronel PM Fernandes do 12 BPM em 2025. “Nossa história iniciou quando fiz o diagnóstico de câncer de mama da Dani (permito, com a autorização dela, fazer esse relato a vocês), em tempo hábil de conduzi-la a um tratamento adequado que deu a ela a chance de cura,” conta emocionada e convencida de que cada membro da família brigadiana é importante e merece dedicação.
Desafios comuns
Para esta policial militar feminina, o maior desafio é comum às mulheres de outras profissões: a maternidade solo. Mas, a Capitã Médica PM Grecco pondera que as demandas são grandes, complexas e imediatas na contemporaneidade. “Por isso, no meu trabalho como médica especialista em mulheres, abordo sempre as questões familiares e sociais que permeiam o cotidiano das brigadianas e dos familiares que acolho,” aponta.
Os desafios permeiam a trajetória de todos os profissionais, mas esta policial militar feminina escolheu ultrapassá-los, “o que me permitiu descobrir que meus limites eram muito maiores do que eu acreditava”. Entre os valores, destaca a importância do estudo constante e da evolução profissional contínua. Para ela, o curso de pilotagem de avião foi uma das maiores oportunidades proporcionadas pela Brigada Militar. “Foi o que me permitiu o domínio de conhecimentos técnicos altamente especializados e diferenciados. Além do crescimento profissional, essa formação ampliou minha visão sobre o emprego da aviação na atividade policial e institucional,” asseverou.
Competência e resiliência
“Uma decisão de vida”, é como define a policial militar feminina do Comando de Polícia Ambiental o seu ingresso na Corporação em 2004. “Não foi apenas uma escolha profissional. Estar na Brigada Militar é carregar responsabilidade e orgulho todos os dias. Ao longo da minha trajetória, a maior conquista foi construir uma caminhada sólida, com dedicação e respeito à Instituição,” afirma a 2º Sargento PM Adriana Oliveira.
Como mulher, entende que os desafios são enfrentados com resiliência e profissionalismo, fortalecendo e reafirmando que “competência não tem gênero”. Essa atuação serviu nos dias mais críticos da enchente de 2024. “Naquele momento, a farda ganhou um significado ainda maior. Éramos o apoio, o amparo e a presença firme em meio ao caos”, contou sobre o sofrimento vivenciado diante de tantas perdas e resgates. Para ela, cabe a cada mulher conquistar espaços com competência, coragem e preparo.
Exposição "A Presença Feminina na Brigada Militar"
Local: Museu da Brigada Militar
Endereço: Rua dos Andradas, nº 498, Centro Histórico, Porto Alegre/RS
Visitação: de segunda a sexta-feira
Horário: das 10h30 às 17h40
Entrada: gratuita
Texto: jornalista Eliege Fante, servidora civil na PM5/BM
