Museu da Brigada Militar convida o público para a exposição sobre Borges de Medeiros
A exposição apresenta objetos, documentos e móveis pessoais doados por bisneta
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A relação de mútuo apoio entre Brigada Militar e Borges de Medeiros foi retratada pelo eterno comandante-geral, coronel PM Jerônimo Braga, que é amigo de Suzana e presidente da Associação Amigos do Museu da Brigada. “O nosso patrono, o então comandante-geral Affonso Emílio Massot, obteve total adesão aos projetos apresentados. Além disso, no período de enfrentamento à gripe espanhola, a atuação da Brigada Militar foi ampliada para realizar o atendimento por meio de dois hospitais, o que fez com que a Instituição fosse o órgão a receber o maior aporte de recursos na época,” explicou. Os diversos itens doados pela bisneta de Borges de Medeiros, além de integrarem o acervo museológico do Museu, passaram a compor, de acordo com suas especificidades, o acervo bibliográfico da Biblioteca do Museu, bem como os acervos documental e fotográfico do MusBM.
Para o diretor do Departamento de Educação e Cultura da Brigada Militar, coronel PM Humberto Rodrigues Lucca, a exposição rememora mais um período histórico de ligação direta entre a Instituição e o Estado. “Se no passado, a origem da polícia foi combater os inimigos da ordem vigente, hoje, a polícia cidadã tem a função de proteger os direitos fundamentais, constitucionais, como a dignidade da pessoa humana. Conhecer nosso passado, a importância da Corporação em conexão com o presente é o que torna a Brigada Militar tão importante para o futuro,” disse.
O museólogo Lucas Moraes, responsável pela curadoria da exposição, revelou-se encantado com a descoberta sobre a vida pessoal de Borges de Medeiros: “a exposição mostra os vínculos do antigo líder do Partido Republicano Rio-Grandense que considerava importante estar perto da família e, mesmo após o fim do governo, continuou sendo referência para consultorias sobre diversos temas, tanto em nível estadual como nacional”. O Museu da Brigada Militar fica aberto para visitação de segunda à sexta-feira das 10h30 às 18h. A comunidade está convidada a conhecer a exposição e vivenciar de perto esse importante capítulo da história do Rio Grande do Sul e da Brigada Militar.
O político em família
Luiz Jacques Saldanha é um dos 22 bisnetos de Antônio Augusto e Carlinda Borges de Medeiros. Ao lado das irmãs Suzana e Luíza, contou que o bisavô era uma pessoa séria, tranquila, simples e que conversava com todos sem julgamentos ou correções. “Era um ancião com conhecimento, que não se considerava superior. No ambiente familiar não era agressivo ou autoritário, ele era muito próximo. Minha bisavó teve demência e ele era muito respeitoso e carinhoso com ela, nunca o vi criticar outra pessoa ou reclamar de algo,” relatou. Saldanha emociona-se ao recordar a despedida do bisavô, quando tinha 16 anos: “Chamou um por um dos bisnetos maiores. Ele me disse para eu ser responsável, sempre estudar e ser uma pessoa inteira”.
Os herdeiros também lembram da respeitosa relação entre Brigada e Borges e do automóvel recebido de presente de oficiais da Corporação. Suzana ressalta que, na época, os presidentes não recebiam aposentadoria como os governadores de estado recebem atualmente. Isso fez com que seu bisavô contasse com o apoio do genro, Sinval Saldanha. “A estância do Irapuazinho, onde Borges passou longo tempo, foi herança da esposa. Espero que essa doação que mostra aspectos da vida particular de Borges estimule estudantes a conhecerem o homem além do político,” disse.
A exposição traz o nome da estância, no interior de Cachoeira do Sul, que alude à abelha nativa, irapuá e, eremitério, que a caracteriza como o local de retiro do então presidente gaúcho da política institucional. A maior parte dos objetos doados são das décadas de 1920 e de 1930.
Texto: jornalista Eliege Fante, servidora civil na PM5 BM


